domingo, 13 de novembro de 2016

A arma secreta de LeBron James


LeBron James tem 2m03, 113kg. Um atleticismo de dar inveja até mesmo para jogadores da NBA. Ele recebe muitos elogios por sua ética de trabalho, e seu comprometimento com o jogo. Passa boa parte do verão - época que deveria ser de descanso - na quadra tentando melhorar ainda mais. Ele é ambidestro, arremessa com a mão direita, mas na vida real faz a grande maioria das coisas com a mão esquerda (algo que contribui muito pra ele conseguir pontuar com mais facilidade). Ele gosta MUITO de estudar a história do basquete, e isso serve pra ele ver algum movimento e trazer pro seu jogo, ou pro jogo de algum companheiro, ou como motivação em momentos que ele mais precisa.

Ele tem todas essas qualidades, mas uma que ele conseguiu esconder, e muitos não sabem, é a memória.  Quem assiste o Bron, se impressiona com as enterradas absurdas e as lindas assistências dele, mas quem convive com ele, se impressiona com o poder da mente dele.

A principal arma de LeBron James é a memória.

Mas pra entender isso, temos que voltar no tempo, lá pra época que LeBron era um moleque, só um adolescente que adorava jogar videogame.



"Jogar contra ele é muito irritante". Essa frase foi dita por todos os amigos mais próximos do LBJ.
"A gente gostava um jogo de luta chamado Shaq Fu", disse Brandon Weems, amigo de longa data do King. "LeBron decorou todos os combo moves. Todos. E por isso, ele sempre ganhava. Nós pensávamos que ele trapaceava pra vencer".

Memorizar os combo moves antigamente, quando não existia Google, era bem difícil. Pra cima, pra baixo, botões A, B e C... demorava um tempo até decorar. LeBron conseguiu fazer isso bem mais rápido que todo mundo. Um dos principais movimentos usados pelo King era o "Inferno Kick" (seta pra baixo, seta em direção ao oponente, enquanto aperta o botão C), que só podia ser feito com a personagem do Shaq. Mas foi quando LBJ trouxe ainda mais sua habilidade patológica que ficou ainda mais difícil para os seus amigos.

"Quando jogamos Madden com ele, temos que ser cuidadosos com os times que escolhemos. Ele lembra se você já jogou com aquele time contra ele, lembra qual o seu plano de jogo, e escolhe o time dele baseado em qual equipe consegue neutralizar suas principais jogadas", disse Brandon Weems, agora funcionário do Cavs, responsável pelo scout de jogadores do College Basketball.
"Ah, e é melhor você salvar sua jogada preferida também, porque ele vai lembrar quais jogadas você usou, e em quais situações do jogo. Sua única chance é salvar sua jogada pro fim do jogo e tentar surpreender", completou Weems.

É tempo para o Heat, durante um jogo da temporada regular 2013-14, no Bankers Life Fieldhouse, casa do Indiana Pacers. Isso aconteceu bem antes do LBJ anunciar sua volta pra Cleveland. Como o timeout era da televisão - para que os comerciais fossem ao ar, o que é normal, existe isso há muito tempo -, Erik Spoelstra teve mais tempo para pensar e desenhar a próxima jogada que o Miami Heat usaria.



Spoelstra está sentado, de frente para os seus jogadores, enquanto desenha uma jogada na sua prancheta. Enquanto Wade, Bosh, Ray Allen e Udonis Haslem estão sentados, tomando água, esperando o Coach desenhar a jogada. LeBron está sentado no canto, quieto, roendo as unhas da sua mão esquerda. Ele parece distraído.

Só que ele não está.

"Não", LeBron disse para o Spoelstra, esticando o braço e apontando algo na prancheta. "Ele tem que ficar aqui, dessa forma", completa LBJ enquanto mostra a rota que o seu companheiro de equipe tem de fazer naquela jogada. James já esteve naquela situação, o Heat já tentou fazer aquela jogada contra o Pacers. Ele consegue perceber isso na mesma hora, como se a mente dele tivesse avisado que tinha algo errado.
LeBron agora está diferente, gesticulando, e falando com seus companheiros. Ele esqueceu das unhas, e está empenhado em provar pro Coaching Staff e para seus teammates porquê aquela jogada vai funcionar.

Spoelstra pega o apagador, e desenha a jogada da forma que LBJ disse.

Em outro timeout, dessa vez no início daquela mesma temporada, o Heat está sentindo dificuldade com a cobertura do Pick-and-Roll. Começa um pequeno debate, entre jogadores e comissão técnica, do que pode ser feito para corrigir aquilo no meio do jogo.

"Vamos fazer assim", diz LeBron. "Vamos fazer dessa forma igual fizemos no Jogo 3(das Finais) contra Dallas."

A mudança é feita. E dá certo. Depois do jogo, Spoelstra fica tentando puxar da memória sobre aquela solução dada pelo LBJ, e, de fato, Spoelstra lembra que aquele ajuste foi feito contra o Mavs. "Eu fiquei tipo, 'ah, como assim, isso foi de um jogo há três anos'", disse Coach Spo enquanto estala os dedos. "E ele lembra fácil assim".

É metade de fevereiro, e o Heat enfrenta o Warriors, em Oakland. Miami está perdendo por 2 pontos, e só faltam nove segundos no relógio. LeBron vai decidir a partida. Andre Iguodala, um dos melhores defensores da Liga, está marcando ele. LBJ finge que vai infiltrar, dá um stepback e arremessa de três por cima da ótima marcação do Iguodala. A bola entra, faltando 0.1 segundos pra acabar o jogo. Game-winner!



E logo depois desse mesmo jogo, um repórter fala pro LeBron que cinco anos antes, na mesma Oracle Arena, contra o Warriors, ele venceu o jogo num buzzer-beater "quase do mesmo lugar".

"Na verdade, não", disse LBJ corrigindo o jornalista. "Aquela jogada foi uns dois metros mais próximo da linha de fundo. O Ronny Turiaf que estava me marcando, eu dei um stepback e arremessei, mas antes eu dei um crossover para conseguir a separação necessária pro chute. Tenho certeza. Foi em uma jogada feita depois de um lateral."

Alguns minutos depois de 'se livrar' dos repórteres, LeBron está sentado, com os pés dentro de um balde com gelo, assistindo àquele lance. E, sim, ele falou tudo certo. Ele deu o stepback no Turiaf, a jogada foi mesmo dois metros mais próxima da linha de fundo, e, exatamente como ele disse, a jogada foi feita após um lateral.





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A memória ajuda, inspira e motiva o LeBron. Mas ela também pode atrapalhar. Aprender a controlar foi, e ainda é, muito difícil para o King.

"Quando eu era criança, meus treinadores diziam que eu lembrava de várias coisas que tinham acontecido em partidas anteriores, e isso deixava todos eles surpresos", disse LeBron. "E eu só comecei a perceber o quão importante isso seria anos depois. Quando já estava no High School. E logo depois, percebi que isso também poderia me trazer alguns problemas".
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É 2012, e perguntam pro LBJ qual a sua enterrada preferida. Pensando rápido, ele cita a enterrada que deu na cabeça de Damon Jones (hoje, um dos membros do Coaching Staff do Cavs), cita também o pulo que ele deu por cima de John Lucas III para enterrar, durante um jogo entre Bulls e Heat, em Miami.
É claro que todos os jogadores vão lembrar das suas melhores jogadas. Os Red Hot Chilli Peppers não vão esquecer os acordes de Californication. Mas o fato de LeBron lembrar os mínimos detalhes é o que impressiona. Ele falou que Daniel Gibson deu o passe - lá do outro da quadra -, e que Antonio Daniels era o defensor. LBJ também falou que muitas enterradas ficam na sua cabeça porque o defensor faz falta, mas o juiz não marca. Tornando a dunk mais difícil.



"As vezes quando chegávamos para o Morning Shootaround, estava passando alguns jogos clássicos na NBA TV", disse o PG Mario Chalmers. "Bron só dava uma olhada pra televisão e falava, 'ah, é o Jogo 2 das Finais de 97', antes mesmo de aparecer na tela".
Após a Universidade de Connecticut ter vencido o torneio da NCAA em 2014, LeBron parabenizou o Coach, e ex-teammate dele, Kevin Ollie dizendo: "Ele continua o mesmo. Está igual a época que ele usava a camisa #12 do Cavs". Ollie jogou com James apenas uma temporada, em 2003-04, Rookie Season do LeBron. Kevin Ollie jogou em 13 times na sua carreira, e usou sete números diferentes. E, procurando no Google, você pode ver que, de fato, Kevin Ollie foi o camisa #12 do Cavs em '03-04.

"Olha, somos jogadores de basquete, então o fato de ele lembrar um lance de alguns anos atrás não me deixa tão impressionado", disse Chris Bosh. "Mas quando ele consegue lembrar coisas que ele não precisava lembrar é que me deixa tipo, 'como assim?'. A gente está vendo NFL e ele fala, 'é, esse cornerback foi escolhido na 4ª rodada do Draft de 2008, ele era de Central Florida'. E eu fico tipo, 'como você consegue lembrar disso?', e ele responde, 'não posso fazer nada'".

Então, sabe o que isso significa? Se você escolher fazer uma jogada contra o LeBron em janeiro de 2013, ele vai lembrar quando você fizer de novo em 2016. Significa que, se você mudou a forma de marcá-lo após o Pick-and-Roll em maio de 2009, ele vai lembrar disso quando vocês se enfrentarem em 2017. Isso significa que se você jogou bem na última vez que enfrentou o Orlando Magic, pode ter certeza que o LeBron vai lembrar e tocar a bola pra você várias vezes durante o primeiro tempo do próximo jogo. E você pode esperar isso por um simples motivo... A memória nunca esquece.

Muitos americanos usam a frase: "All the greats have short memory". A frase significa, "os grandes jogadores têm memória curta", se referindo ao fato de mesmo que você nao esteja jogando bem, quando chegar na última bola do jogo, você tem que aparecer e decidir como se tivesse acertado tudo durante o jogo inteiro. Bem, talvez a gente precise mudar esse ditado. Porque um dos maiores jogadores da história lembra de tudo. Tudo.

"Eu, normalmente, consigo me lembrar de jogadas que aconteceram em determinadas situações de anos atrás. As vezes, de muitos anos atrás", diz LeBron. "Durante o jogo, eu consigo ir lembrando de jogadas que deram certo(ou errado) em jogos anteriores naquela situação que eu me encontro."

"Eu tenho sorte de ter memória fotográfica", complementa LBJ. "Também tenho sorte em ter aprendido a usá-la ao meu favor".

Já percebeu que todo jogo o LeBron consegue algumas roubadas de bola que você pensa, 'como ele conseguiu fazer isso? Parece até que ele sabe o que o outro time vai fazer'. E, bem, ele sabe.

LeBron ama estudar basquete. Quando jogou no Heat, LBJ e Shane Battier eram os nerds do time. Eles pegavam estatísticas e as jogadas que o time adversário mais usava para estudar, e ver o que o time do Miami Heat podia fazer. Eles estudavam pra ver coisas do tipo: "pra que lado X jogador vai quando ele precisa fazer cesta?"

LBJ entra na sala de vídeo que tem em sua casa e assiste jogos dos próximos adversários. São 5 televisões em uma só. Se ele quiser, ele pode assistir vários jogos ao mesmo tempo.

Por causa da memória fotográfica, LeBron consegue decorar o playbook do seu time, e decorar as principais jogadas do time adversário. Por isso, pra ele, conseguir roubadas de bola fica bem mais fácil.

Se tem algo que podemos dizer, hoje, sobre os estudos do cérebro - principalmente a memória - é que tem muito mais pra descobrir. A capacidade de trabalho da nossa mente ainda é um pouco desconhecida. Mas se tem uma área da neurologia que nunca foi comprovada, é a da memória fotográfica - que é quando uma pessoa tira uma foto mental, e consegue se lembrar de cada detalhe daquela foto.

Mas não, LeBron não está mentindo quando diz que consegue lembrar de tudo. Ao que parece, LeBron tem a "eidetic memory", que é o termo médico usado para aquela memória muito, muito absurda. Embora esse tipo de memória apareça de muitas formas - algumas pessoas dizem conseguir ler páginas inteiras de livro, letra por letra, através da memória, ou pessoas que conseguem se lembrar de vários momentos de sua vida como se estivesse no YouTube selecionando, e assistindo o vídeo que quiser - algo que é unânime em pessoas que dizem tê-la é: elas têm sorte, e também azar por ter esse dom.

É muito difícil apagar memórias ruins quando você simplesmente não consegue apagar memória alguma.

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Sabe aqueles jogos do LeBron que ele tá jogando muito mal, e você só sente raiva? Talvez seja culpa da memória. Sério.
É junho de 2013, LeBron tá no ônibus do Heat voltando para o hotel depois do Jogo 3 das Finais em San Antonio. O Spurs tinha acabado de ganhar por 36 pontos, abrindo 2-1 na série. LeBron tinha chutado 7/21 nesse jogo, e não tava jogando tão bem até aquele momento das Finais. Nos primeiros três jogos, ele estava com média de 16.5 pontos e 38% FG - números não tão bons para o LeBron, principalmente se levarmos em consideração que era um dos melhores anos da carreira dele.
No ônibus, ele vira pra um amigo e diz: "Eu tô pensando demais. Pensando em 2007".



Em 2007, LeBron e os Cavs tomaram uma varrida do Spurs. Popovich não respeitava o arremesso do jovem de 23 anos. Mesmo LBJ tendo feito aquela partida absurda na série anterior contra o Pistons, fazendo até 29 dos últimos 30 pontos em um dos jogos, Popovich preferiu "pagar pra ver" o chute do King. Mandou seus jogadores protegerem o garrafão e deixarem o LBJ livre.
E o técnico do Spurs conseguiu o que queria.
LeBron tem um péssimo aproveitamento de 36% FG. É uma série bem difícil pro LBJ. É como quando você chega na escola pra fazer uma prova que você não estudou, e precisa tirar dez. Ao fim do quarto jogo da série, James promete que vai aumentar o seu nível de concentração e atenção para os pequenos detalhes.

É o que ele fez. Durante esses seis anos, LeBron se torna um arremessador melhor, treina com Hakeem Olajuwon para melhorar o seu jogo no Post, vai às Finais mais três vezes, ganha o prêmio de Most Valuable Player pela quarta vez, e conquista o tão sonhado título.

E voltamos para 2013. Com o Popovich usando o mesmo plano de jogo de seis anos antes. LeBron não está apenas jogando contra o Spurs, mas também contra as suas lembranças dos arremessos errados. A memória não esquece. Ele agora é um jogador diferente, mais maduro e mais confiante. Mas quando ele vê a forma que o Spurs está jogando, ele não pode fazer nada, a mente automaticamente usa a memória pra mostrá-lo o que aconteceu no passado.



A memória vai mostrando as decisões tomadas por ele, uma atrás da outra, e todas acabam de forma ruim... Com uma derrota. E isso faz ele pensar demais, mesmo que na hora LBJ precise agir, sua cabeça não para.
"As vezes a memória é ruim pra ele", diz Erik Spoelstra. "Porque ele também lembra das derrotas".
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Agora, com tudo isso que eu te falei sobre o LeBron, olhe de outra forma para as Finais de 2011. É sem dúvida a pior sequência de jogos do LBJ na carreira, terminando o Jogo 4 das Finais com apenas 8 pontos, em 46 minutos jogados.

Se você assistir um jogo daquela série, você vai ter a mesma impressão: LeBron parecia estar no mundo da lua.

LeBron já admitiu no que ele estava pensando durante aquelas Finais. James estava pensando em tudo. Tudo de bom, e tudo de ruim. Naquele ank, ele não está apenas jogando contra o Mavs, ele também está enfrentando o seu fracasso no ano anterior na série contra o Celtics.

Após não conseguir vencer o time de Boston, LeBron não lida com nada dos rumores, de novas contratações para o seu time, nem de outras polêmicas. Invés disso, ele se muda para outra cidade. Muda de time, muda a torcida, muda o dono da franquia... Muda tudo.

E um ano depois ele tem a chance de conseguir, finalmente, mudar toda a sua realidade, mas... A memória se torna a vilã da história. E assim como em um filme ruim, tudo está fora do controle do LBJ. O computador que está dentro da cabeça dele vence, e faz o download de todas as frustrações, derrotas e fracassos de anos anteriores.



Após a derrota em 2011, LeBron tira algumas semanas pra entender o que está acontecendo. E percebe que pra controlar sua mente, e fazer acontecer, ele precisa "desligar" outras partes do cérebro. Então, nos playoffs de 2012, ele se desliga das redes sociais. Ele não entra no Instagram, Twitter e etc. Ele não assiste televisão... A única coisa que ele faz é ler. Desde livros como "Jogos Vorazes", ou "O Sentido da Vida", até livros de negócios/empreendedorismo.

Mesmo que pra muitos não seja importante, ter conseguido dominar sua mente é a maior conquista da carreira do LBJ. Porque sem isso, muito provavelmente, LeBron ainda estaria sem título algum.

"Esse é o desafio. Acontece tantas coisas diferentes na sua cabeça, que as vezes é difícil se concentrar no que é importante, no que está acontecendo agora", diz LeBron.

E então, em 2013, ele se recupera, consegue uma grande sequência de jogos, e vence as Finais mais uma vez. Anotando 32 pontos no Jogo 6, e 37 no Jogo 7 - acertando vários arremessos durante a partida.



Algo parecido acontece em 2016. Dessa vez, contra o Golden State Warriors, LeBron está bem na série final. Mas GSW abre 3-1, e quando tudo parecia estar indo pro caminho errado, LBJ aparece em Oakland calmo. Vai para o treino da equipe com a camisa do Undertaker, muito concentrado, quieto no canto dele. Vai pra entrevista pós-treino e dá risada da declaração do Klay Thompson - que disse que ele ficou magoado com o trash talk do Warriors.

LeBron está muito calmo, e essa calma é percebida pelos outros jogadores. Após o Jogo 5, eles ganham confiança, e mais confiança no Jogo 6. Até que vem o Jogo 7 e... Bem, o resto da história vocês já sabem.

Qual a jogada preferida do Warriors depois dos timeouts? Qual o lado da quadra que DeMar DeRozan gosta de receber a bola? LeBron sabe tudo isso.

Ele conseguiu controlar sua mente. Essas informações estarão lá quando ele precisar. LBJ vê sua memória como uma arma.

Mais uma para o seu arsenal.


segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Guia da temporada - PARTE 2


A parte dois do Guia está aqui. Dessa vez, falei sobre o Big3, os role players e o Rookie. Falei um pouco sobre eles, sobre o que espero deles, e as funções que os mesmos vão desempenhar no time.

Então, vamos lá...

O que esperar do Big Three?


Pelo pouco que vimos na pré-temporada, K-Love parece mais à vontade, com mais confiança. Kyrie ganhou muita moral, e muita experiência de junho pra cá. Foi pro Rio disputar (e vencer) as Olimpíadas, ganhou um título da NBA jogando muito. E LeBron... Bem, ele é o LeBron.
Espero ver K-Love exigindo mais a bola, querendo jogo. Espero ver o time confiando mais nele também. Acredito que Love irá pro All-Star Game de 2017... jogo pra isso ele tem, só nos resta ver se ele vai conseguir mostrar tudo que ele é capaz de fazer.

Kyrie vem pra se consolidar como um dos melhores armadores da Liga. Com a atuação dele nas Finais desse ano, muita gente já o considera como um dos melhores, mas muitos também olham pra ele com desconfiança. E uma temporada sólida, com boas atuações deve colocá-lo nesse nível dos melhores da NBA. 


Desde o início da carreira, Kyrie já falou muito da "Mamba mentality", se referindo ao Kobe e sua forma de encarar o jogo. E durante as finais, quando Cavs tava perdendo por 3-1, e jornalistas atacavam todos os jogadores do Cavs, fizeram muitos comentários do Kyrie, inclusive de que ele deveria dar mais assistências, que um bom armador da NBA tem que ter mais do qie só 4 assists por jogos em uma NBA Finals. Ao ouvir tudo isso, Ty Lue disse pra ele, "sabe qual o segredo do Kobe pra ter a tal Mamba Mentality?! Não ligar pra nada que as pessoas falam. Não tente jogar de uma forma diferente por causa deles, jogue sendo você mesmo". No jogo seguinte, Kyrie foi lá e anotou 41 pontos. Estou querendo ver como vai ser a próxima temporada dele, depois que ele descobriu esse segredo.

Vai ser a primeira temporada da carreira que LBJ não vai jogar com pressão. Quer dizer, pressão ele sempre vai ter, mas nessa temporada, comparando com as últimas dez, a pressão vai ser bem menor. LeBron trouxe o título pra sua cidade, ganhou seu terceiro título da NBA, ganhou mais um prêmio de MVP das Finais, e deixou de ser o grande vilão da Liga. Kevin Durant levou o papel de bad guy, levou também a pressão lá pra Oakland.

Estou ansioso e animado pra acompanhar essa próxima season do King. Ele deve quebrar mais recordes, e subir nos rankings de pontos, rebotes, assistências e roubos de bola. LeBron tem tudo pra ser o MVP. E acredito que ele vai. Curry e KD, os últimos campeões do prêmio, estão jogando juntos. É bem provável que os dois "se atrapalhem". Oportunidade perfeita pro LBJ. O King precisa disso pro seu legado, e ele sabe. Acredito que LeBron James vem pra ser o MVP da temporada regular pela 5ª vez na carreira. (Se vai ser ou não, só o tempo dirá)

Kay Felder, futuro ou presente?



O Rookie tem tudo pra ser o nosso futuro, mas pode ser o nosso presente. Com a aposentadoria de Mo Williams, Cavs não tem armador reserva. Ty Lue já falou que o elenco e a comissão técnica confia em Felder pra assumir esse papel. Até aí, tudo bem. Mas, Lue colocou Shumpert pra liderar a segunda unidade do time. Tá, de fato, Shump não jogou mal, porém... É pré-temporada. Todo mundo sabe que o camisa #4 do Cavs não é bom batendo a bola...

Espero que Lue coloque Felder pra ser o backup PG do Cavs. E, mesmo que ele não confie no calouro, pelo menos coloca o LBJ pra fazer esse papel. Ou o Jordan McRae. Qualquer um, menos o Shumpert.

Dunleavy e Birdman podem ajudar?



Sim, eles podem ajudar muito. Os "novos" reforços do Cavs são veteranos na Liga, com bastante experiência e, a melhor parte, com jogos que se encaixam com o do LeBron.

Dunleavy é o cara que vai ficar parado na zona morta só esperando o LBJ fazer aquele cross-court-over-the-defense-bullet pass. O camisa #3 do Cavs vai espaçar a quadra pra LBJ, Kyrie e Love poderem jogar mais à vontade no 1-vs-1.


Já Birdman, mesmo não tendo bom arremesso de longe, vai ser importantíssimo nos Pick-and-Rolls, nos rebotes, e no que ele tem de melhor... Trazendo MUITA energia pra quadra. Ele vai ser reserva do Tristan Thompson, ou seja, sempre teremos alguém disputando pelos rebotes, e por qualquer bola perdida. Birdman já jogou com LBJ em Miami, e tem tudo pra repetir o sucesso. 

O que esperar dos role players?



JR Smith, Tristan Thompson, Iman Shumpert, Richard Jefferson e Channing Frye serão importantes demais. Embora LBJ já tenha provado que consegue levar qualquer time pras Finais, é bom que os role players consigam desempenhar seus papéis pra ajudar a equipe. Além de serem peças essenciais dentro do vestiário, RJ e Frye são os veteranos que podem, e vão, ajudar bastante o Cavs, assim como foi na temporada passada.

JR Smith e Tristan Thompson foram fundamentais em 2015-16, e não espero que seja diferente. Ajudando na defesa, e acertando aqueles arremessos malucos, sem JR, a gente não teria sido campeão. E não, não é exagero. Muita gente não lembra, mas aqueles 8 pontos seguidos do Swish no início do 3ºQ do Jogo 7, colocaram o Cavs de volta na partida. JR não é só o cara maluco das tatuagens, ele é muito importante pra equipe. Muito.


"O Tristan Thompson é aquele cara que só pega rebotes, né?!" A resposta pra essa pergunta é não. Não, ele tem outras funções, e desempenha todas elas exatamente da forma que o Cavs precisa. TT é muito importante no Pick-and-Roll defensivo, por ser ágil, ele consegue trocar de marcação e defender o armador do outro time bem. Tristan é o cara que dá versatilidade ao time. E claro, ele também é o cara que disputa todos os rebotes, TODOS. Se alguma mina estiver dando bobeira dentro do garrafão, pode ter certeza que o TT pega. Segundo Ty Lue, Thompson está desenvolvendo um arremesso próximo do garrafão. Isso pode ajudá-lo bastante no lado ofensivo. Ele terá a opção de fazer o Pick-and-Pop, e arremessar sozinho, já que todo mundl espera que ele vá em direção à cesta.

Iman Shumpert é o nosso especialista de defesa. Não é muito bom com a bola nas mãos, como já disse lá em cima, mas na defesa... Shump consegue marcar todos os jogadores de perímetro, outro jogador que possibilita as trocas, traz mais versatilidade. Sim, Cavs está ouvindo propostas pra talvez trocá-lo. Não sei se é uma boa, já perdemos Dellavedova - nosso outro especialista de defesa -, e agora Shump? Não sei não. Mas, como sempre, acreditarei no nosso GM, o Santo David Griffin.


É isso, galera. Espero que vocês tenham gostado, e que estejam prontos para a nova temporada da NBA.

Abraço e até a próxima! #CavsBrasil

domingo, 16 de outubro de 2016

Guia da temporada - PARTE 1



E aí, galera, tudo bom com vocês?
Resolvi fazer esse texto pra vocês porque percebi que muitos torcedores novos estão surgindo, e também, têm sempre aqueles torcedores que não acompanham tanto que decidem acompanhar e assistir com mais frequência a NBA.
Junto com o @CavsDepre, siga o aqui, escrevi esse Guia pra que os novos torcedores do Cavs tenham uma noção de quem é cada jogador, e de que forma nós, amantes do time de Ohio, falamos deles(jogadores).
Então, vamos lá?!



LeBron James: Não tem muito o que dizer. Se você gosta um pouco de basquete e não sabe que este homem é três vezes campeão da NBA, quatro vezes MVP da temporada regular, e três vezes MVP das Finais... You're doing it wrong.

Kyrie Irving: Campeão da NBA, MVP da copa do Mundo, um dos melhores handles da NBA, acertou aquele arremesso que deu uma grande vantagem no Jogo 7. As bandejas que o Kyrie faz só não são mais absurdas que os arremessos que ele tira da cartola. Absurdo de jogador. Na carreira inteira, ele só perdeu UM lance livre na hora decisiva(24 segundos ou menos pro fim do 4°Q/prorrogação). O MENINO OUSADO COM ALEGRIA NAS MÃOS E UM TAL DE MVP UNÂNIME NO BOLSO, O NOSSO PEQUENO PRÍNCIPE, TAMBÉM CONHECIDO COMO MELHOR PG DO LESTE(boatos rsrsrsrs). Tenha certeza que em toda noite de Cavs teremos ejaculações múltiplas com este homem e seus dibres de cair a calcinha da mulherada!

Kevin Love: Não tinha tanta confiança em 2014-15, mas ganhou muita moral com as Finais desse ano. É esperado que ele jogue melhor, tomando mais conta do time, mostrando porque que no Cavs tem um Big3 e não um Big2. Até porque, agora, ele é um campeão da NBA. KEEEVVVIIIIINNN SEU LINDO, ME ENGRAVIDA GOSTOSÃO!!!! OBS: Cuidado com as palavras quando for se referir a este ser incrivelmente maravilhoso, pois, digamos que, ele é um pouco frágil rsrs.

JR Smith: Ele é o jogador mais querido do Cavs. E não, não sou eu que tô afirmando isso. LeBron que afirmou isso. Atleta importantíssimo em quadra, costuma acertar arremessos RIDICULOS, e dar vantagem/colocar o Cavs de volta no jogo. Ele é o famoso 8 ou 80, no fim da jogada ele vai te deixar impressionado com um arremesso incrível, ou vai te deixar muito put* com alguma m*rd*, mas com o tempo você se acostuma. No fim das contas, você vai estar amando este ser que tem mais tatuagem do que pele.

Tristan Thompson: Monstro dos rebotes. Mas não, ele não é só isso. Importante DEMAIS na defesa. E no ataque, quando faz o Pick&Roll, é sempre um problema pro time adversário. Nas rodas de samba, ele é conhecido como BLACK ROLA. O cara que pega até sua irmã se ela estiver de bobeira no garrafão. CURIOSIDADES: Diz a lenda que a cada rebote ofensivo que ele pega, cresce 1cm na sua região peniana.....

James Jones: ÓTIMO cara de vestiário. O melhor companheiro de equipe que o LBJ já teve, segundo o próprio LeBron. É um bom arremessador, e está em busca da sua 982382542ª final consecutiva. Ele já ganhou 87234 anéis, mas será eternamente conhecido como "amigo do homem"... e só. (abraço Agra)

Iman Shumpert: Ótimo na defesa, mas no ataque... É difícil. O tipo de jogador que quando pega na bola você fica preocupado, e quando pega pra arremessar você fica mais nervoso ainda. Todos nós torcemos pra que ele faça uma ótima jogador defensiva, recupere a bola e já devolva pro Kyrie ou LBJ. Mas não me leve a mal, ele não tem só qualidades ruins, ele traz muita energia pra quadra, principalmente quando dá algumas enterradas que quase quebram a tabela. Ah, e ele tem um cabelo top demais irmãozinho.

Richard Jefferson: Disputou as finais da NBA duas vezes, nas duas primeiras temporadas, e desde então não tinha mais participado de nenhuma. Quando teve a oportunidade de jogar com o King, ele não pensou duas vezes. RJ tem um bom arremesso de 3, e quando o Cavs precisa, ele traz muita energia pra quadra. O CAR3CÃOOOO vai dominar sua timeline assim como domina o Snapchat, aliás adicionem este homem na rede social do fantasminha, certamente o mais zuerão da nossa linda e gigante equipe.

Channing Frye: Ele é da turma do RJ, alem de brincalhão, Frye é muito querido pelo elenco. E consegue ajudar nas bolas de 3. Quando o jogo tá difícil, e o Cavs precisando de arremessadores pra espaçar a quadra, é bem provável que você o veja em quadra. I'TS FRY3333333DAY!

Jordan McRae: Ele foi uma grata surpresa. é aquele aluno novo que já chega se enturmando com a galera, e já vai colando nos rolê. MICHAEL JORDAN McRAE. Jogou muito bem na Summer League. Não costumar entrar muito, mas ele é um bom nome pro futuro da franquia.

Kay Felder: Outro que se destacou na Summer League. Ao lado de McRae, Felder é o futuro, porém também o presente. Com a falta de armador reserva, o Rookie pode ganhar tempo de jogo. O mini negro maravilhoso que compensa o que lhe falta em tamanho esbanjando classe. Cavs já entrou em contato com a NBA para que seja permitido que o Felder use terno durante os jogos.

Chris 'Birdman' Andersen: VOA CANARINHO, VOA! Ele já jogou com o LBJ no Heat, e por lá sempre dava boas jogadas pro time de Miami. Bron gosta de jogar com ele. Pode esperar muita raça e muita energia. Isso não vai faltar, te garanto. Outro que tem mais tatuagem do que pele, e cara de maníaco do parque.



Mike Dunleavy: Welcome, Mr. White. 'Estou aliviado de estar jogando no mesmo time que LeBron', disse Dunleavy. ÓTIMO arremessador de 3, então, caso você veja DUNL333AVY escrito na timeline várias vezes, não estranhe. Isso acontecerá muito durante a temporada.
É isso, galera. Espero que vocês tenham gostado. Caso conheça algum novo torcedor do Cavs, mostra esse texto pra pessoa.
Obrigado pela parceria, @CavsDepre. Tamo junto!

Valeu, pessoal. Abraço! #CavsBrasil #KingJamesBrasil

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

A carreira de LeBron James no High School - PARTE 2



Muita gente é fã, e conhece a carreira do LeBron na NBA. Muita gente já viu todos os mixtapes de pontos, assistências e tocos dele. Mas, infelizmente, a maioria dos fãs do King não sabem o que aconteceu ANTES de sua carreira na NBA.

E é por isso que, junto com o HSBasketballBR, siga-o aqui, estou lançando pra vocês o primeiro texto NO BRASIL que fala sobre a carreira de LeBron James no High School.

Caso você não tenha visto a primeira parte, por favor, entre AQUI antes de ler a parte 2.

TEMPORADA COMO JUNIOR



Após seu segundo ano de High School, LBJ foi para Colorado Springs participar de um camp do Team USA. Foi o primeiro convite que ele recebeu para este tipo de evento. E lá, ele quebrou o
recorde do evento. Anotou  120 pontos, em cinco jogos, e foi nomeado MVP.

Em sua próxima parada, no Adidas ABCD Camp, na Fairleigh Dickinson University, em New Jersey, LeBron mostrou oficialmente a todos que chegou no cenário nacional.

O destaque do evento deveria ser Lenny Cooke, que queria mostrar todo seu potencial para ser uma futura escolha na NBA, mas Cooke não contava que ele seria completamente ofuscado por LeBron James. Com uma equipe de filmagem da ESPN seguindo todos os seus movimentos para o programa 'The Life', ele mostrou seu arsenal ofensivo e jogou de forma sufocante na defesa. Ele não deixiu ninguém respirar durante o camp. Mas o que surpreendeu todo mundo foi a capacidade de passe do LeBron. Até aquele ponto, a maioria traçava uma linha de pensamento que ele seria o próximo Jordan. Mas, a partir daquele momento, comparações com Magic Johnson começaram a surgir.

Ainda sim, às vezes, durante o acampamento, LeBron parecia quase aborrecido pela
concorrência e o seu foco foi sumindo. Mas quando foi desafiado, ele brilhou. LBJ primeiro virou um jogo entre underclassmen. Sendo MVP da partida, ele marcou 22 pontos, pegou 4 rebotes, e deu 7 assists.

Mais tarde, ele enfrentaria o Lenny Cooke, em um confronto muito aguardado por todos que acompanhavam camp. Cooke tentou definir o ritmo da partida desde o início, quando ele fez algumas belas cestas de três pontos. Mas LeBron riu por último. Ele terminou o jogo com 24 pontos, e mostrou pros scouts que Cooke não era o melhor naquele torneio.



Após o ABCD Camp, um rumor flutuava no The New York Times em que ele poderia se declara elegível após sua temporada de junior na SVSM. Foi quando ele finalmente negou a alegação e contribuiu para a crescente onda de "King James". Enquanto isso, Michael Jordan convidou LeBron para acompanhá-lo em um treino exclusivo. (uma história legal sobre esse convite do MJ você pode ler aqui)

Quando LeBron voltou para casa, ele já visava a sua terceira temporada no futebol. Sua mãe, Gloria James, não gostou da ideia, com medo de ele se machucar e comprometer sua carreira no basquete. Mas LeBron decidiu jogar.

Depois de ficar de fora da abertura, ele acabou a temporada regular com 52 recepções para mais de 1.000 jardas e 15 touchdowns. SVSM se classificou para os playoffs estaduais depois de um recorde de 7-3. No primeiro jogo de pós-temporada do Fighting Irish, vitória por 28-20. Mas, em uma das jogadas no fim do jogo, LeBron fraturou o dedo indicador da mão esquerda.



Ele preferiu manter a lesão encoberta, e entrar em campo para a final estadual. SVSM perdeu e LeBron começava a pensar que seria melhor ouvir sua mãe, e deixar o futebol americano de lado.

LBJ imediatamente voltou sua atenção para a quadra de basquete. Até aquele momento especulações sobre o seu futuro estavam correndo solto. Em sua lista de ofertas existiam nomes como: Cal, Flórida, Michigan, Ohio State, North Carolina e Duke.

Mas muitos questionaram se LeBron realmente considerava ir para a faculdade. Apesar de ser um bom aluno, ele era um jogador de basquete em primeiro lugar. Nike e Adidas estavam em uma batalha feroz para contratá-lo. Seu nome apareceu em manchetes de jornais de todo o país.

Relatórios dizem que a oferta final poderia chegar aos 20 milhões de dólares. Neste contexto, LeBron começou sua temporada de Junior no basquete.

Com o treinador de SVSM sendo Dru Joyce, pai do armador da equipe, o Fighting Irish enfrentou uma das tabelas mais difíceis do país. Na verdade, quase metade dos adversários da escola estavam no ranking nacional.

LeBron e seus companheiros enfrentaram a Germantown Academy, que contava com as estrelas Lee Melchionni e Matt Walsh. Graças aos 38 pontos e 17 rebotes do King, SVSM ganhou a partida por 70-64. SVSM vinha de vitórias importantes, e perdeu pela primeira vez em Delaware. Lá, o Irish perdeu por 84-83 para Amityville, de New York.

Em fevereiro de 2002, SVSM sofreu a primeira sequência de derrotas desde que LeBron juntou à equipe. A primeira derrota veio em uma revanche tão esperada com Oak Hill, no Prime Time Shootout em Trenton, NJ. Mesmo com os incríveis 36 pontos do LeBron, o time de Ohio não conseguiu superar os Warriors e sua grande arma, Carmelo Anthony, que terminou com 34 pontos.

Os Fighting Irish foram derrotados novamente uma semana mais tarde pelo George Junior Republic, time da Pensilvânia. As derrotas não diminuíram a reputação de LeBron.

Kobe Bryant, na esperança de atrair LBJ para a Adidas, deu-lhe um par especial de tênis com as cores da bandeira americana. Enquanto em Cleveland, quando foi jogar contra o Cavs, Shaquille O'Neal foi ver um
dos jogos do LeBron, e ficou impressionado, dizendo que ele já estava pronto para a NBA.

O Fighting Irish, por sua vez, embarcou em uma nova série de vitórias que alimentou outra corrida para a final estadual. Na frente de 20.000 fãs gritando no campus da Universidade de Ohio State, eles falharam na busca do terceiro titulo consecutivo, perdendo por 71-63 para Roger Bacon, equipe de Cincinnati.



LeBron, que lutou contra espasmos nas costas a noite inteira, não estava no seu melhor estado. Ele terminou o ano com média de 28 pontos, 9 rebotes e 6 assistências. James foi nomeado McDonalds All-American, jogador do ano pela Gatorade, pelo USA Today e pela Parade Magazine.

Mas LeBron não estava completamente satisfeito com a sua temporada. Seu maior motivo de preocupação foi a queda de rendimento no seu arremesso de três pontos (34%) e lances livres (59,3%). Ele resolveu, então, passar mais tempo no ginásio trabalhando em ambas as áreas.


TEMPORADA COMO SENIOR



Entre aqueles que acreditavam que não era necessário mexer no jogo do LeBron, estava o treinador dos Cavs, John Lucas. Ele o tinha visto em um torneio AAU no verão anterior, e chegou a conhecê-lo pessoalmente, porque LeBron já tinha ido na Gund Arena, em Cleveland.

Ignorando as regras da NBA, Lucas convidou o jovem de 17 anos para um treino informal com o Cavs. LeBron impressionou a todos com as suas enterradas, mas novamente foi sua visão de jogo que atraiu o maior número de “oohs” e “aahs”.

A sessão de treinos custou a John Lucas uma multa de 150 mil dólares da NBA, e uma suspensão de
dois jogos. Mas Lucas não se preocupou, ele sentiu que saiu muito barato.

LeBron tinha planos de ter um verão cheio de jogos, mas foi afastado depois de quebrar seu
punho esquerdo em um jogo de AAU. Ele ainda visitou os principais Camps para ver
algumas partidas.



LeBron causou polêmica quando apareceu no ABCD Camp, da Adidas, vestindo um tênis da Nike, e em seguida, vestindo um tênis da Adidas no Nike All-American Camp.

Durante seu tempo de inatividade, LeBron trabalhou seu físico com um personal trainer. Ele também refletiu sobre quanto o basquete significava para ele.

Quando ele voltou pras quadras, amigos e familiares notaram que ele daria um grande salto em sua vida. Eles também notaram o tanto de atenção que o King atraía. SVSM fechou um acordo para transmitir todos os 10 jogos em casa, pelo pay-per-view. A ESPN concordou em televisionar a partida mais esperada do mês de dezembro. St. Vincent-St. Mary contra Oak Hill. Até o carnê de ingressos para aquela temporada subiu o preço. Agora, caso o fã quisesse acompanhar os jogos, teriam que desembolsar 125 dólares.

Nesta fase da vida dele, foi ficando muito óbvio para todo mundo que conhecia LeBron que ele logo, logo iria jogar na NBA. E provavelmente não ir para a faculdade. Enquanto isso, Nike e Adidas se desesperavam para assinar com o LBJ. Reportagens na época afirmavam que LeBron pedia 25 milhões de dólares. Nada mal para um primeiro contrato. Principalmente se você só tem 17 anos.

O Fighting Irish abriu a temporada 2002-03, depois do dia de Ação de Graças, em casa, contra Wellston. Com 2.000 espectadores lotando o ginásio SVSM, LeBron levava sua equipe a uma vitória parcial por 46-10, quando caiu a energia e o jogo foi suspenso. Na noite seguinte, o Irish buscou a revanche contra George Junior Republic, em uma partida devastadora de SVSM, que venceu por 101-40. LeBron foi fantástico, ele anotou 21 pontos, 14 rebotes, 7 assistências e 4 roubos de bola.

Menos de duas semanas depois, SVSM conseguiu mais uma vitória importante, derrotando Oak Hill por 65-45. Com Dick Vitale e Bill Walton transmitindo o jogo para a ESPN, LeBron, em outra grande noite, marcou 31 pontos e pegou 13 rebotes.

Vale ressaltar que 1,67 milhões de lares estavam assistindo essa partida ao vivo.


SVSM ganhou mais quatro partidas antes do aniversário de LeBron. Entrecaqueles que deram os parabéns a ele, estava Allen Iverson.

Mas os problemas apareceram. Para comemorar o aniversário de seu filho, Gloria James fez um empréstimo e comprou uma Hummer H2 - preço de 50 mil dólares. O presente causou uma enorme controvérsia. SVSM e a Associação Atlética de HS de Ohio consideravam suspender LeBron. E a mídia, que ama criar polêmica, lançou um debate nacional que ele, sua mãe e uma universidade X poderiam estar de conluio financeiros.

No entanto, LeBron não foi punido. SVSM viajou para Los Angeles onde iria enfrentar Mater Dei High School, no ginásio de UCLA, em outra transmissão para a ESPN.

Em um jogo bem legal de se assistir, os Fighting Irish ganharam por 64-58. Embora ele tenha perdido todos as nove tentativas de arremesso de três, LeBron ainda conseguiu  anotar 24 pontos.

Um mês depois, LeBron encontrou-se em mais uma polêmica. Sim, mais uma. Desta vez, após aceitar duas camisas retrô da NBA, no valor de 845 dólares, vindo de uma loja de esportes. A Associação Atlética de Ohio não hesitou, e anulou a elegibilidade do LeBron. Mas James logo foi procurar um modo de se defender, quando anunciou a contratação do advogado Fred Nance para obter a liberação. Nance solicitou uma liminar no Tribunal do Condado e, em última análise, o juiz deu parecer favorável ao LeBron. A decisão veio na hora certa para ele. No Prime Time Shoot Out, em Trenton, LBJ marcou 52 pontos na vitória de SVSM em cima do West Chester (de Los Angeles), por 78-52.




Todo o episódio judicial ganhou as manchetes nacionais. Pessoas que nunca tinham ouvido falar de LeBron, pessoas que não tinham interesse em basquete de ensino médio, derrepente, estavam familiarizados com os detalhes de sua vida. Foi nesse momento que ele se tornou de fato popular no país.

LeBron tentou se concentrar no basquete e fez um ótimo trabalho. SVSM entrou nos playoffs estaduais com apenas uma derrota, em seguida, voltou para a final do torneio, dessa vez contra Kettering Alter. Na frente de 18.454 fãs (recorde do torneio), na Ohio Valor City Arena, o Fighting Irish estava com uma pequena vantagem indo para o último quarto. Foi quando James fez o que faz até hoje... #LeBronTakeover. Tomou as rédeas do jogo, e marcou os primeiros nove pontos do período para levar SVSM a uma vitória por 40-36.

Terminando a temporada com um recorde de 24 vitórias e 1 derrota, St. Vincent-St. Mary recuperou o título estadual, e concretizou o legado que começou quatro anos antes.

Depois da sua última temporada no High School, LeBron jogou o McDonald’s All-American na Gund Arena e participou do EA Sports Roundball Classic, em Chicago. Ao jogar em alguns All-Star Games, LeBron selou seu destino e se declarou elegível para a NBA.



Depois disso, o King foi draftado pelo Cleveland Cavaliers, na primeira escolha do Draft de 2003. Mas isso é história para outra série aqui do blog.

Espero que vocês tenham gostado. Valeu, galera! Muito obrigado a todos que acompanharam as duas partes do texto. Obrigado também ao HSBasketballBR, que topou entrar nessa comigo. Enfim, muito obrigado, e... Até a próxima! Abraço. #LeHistory

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Tyronn Lue está devendo 100 dólares pro LeBron


Após a vitória no Jogo 5, lá em Oakland, o Cavs estava em uma situação adversa. Perdendo por 3-2, precisando fazer algo que NUNCA tinha sido feito na história. 

Muita gente dizia que Warriors já era campeão, não tinha como virar. Era só saber se o GSW ia comemorar no Jogo 6, que nem na temporada anterior, ou no Jogo 7. A esmagadora maioria dos fãs da NBA não acreditava mais no Cavs. Muitos dos torcedores do Cavs também.

Mas uma pessoa não deixou de acreditar na equipe em momento algum. E o nome dessa pessoa é Tyronn Lue. O técnico, que assumiu o lugar de David Blatt durante a temporada, teve uma idéia genial pra motivar o elenco e a todos que estavam naquele vestiário.

Ele pediu a atenção de todo mundo, e disse: "Eu quero 100 dólares de cada um que estiver dentro deste vestiário". E foi o que aconteceu. LBJ, Kyrie, Love e cia. fizeram o que Ty Lue tinha pedido. Todo o coaching staff, e os membros da diretoria, incluindo o GM David Griffin, também contribuíram com os 100 dólares. E, no fim, quando foi arrecadado 4.500 dólares, perguntaram por que ele estava fazendo aquilo. E Ty Lue explicou...

O dinheiro ficaria no teto da sala dos treinadores. Os 4.500 dólares ficaria lá para que todos eles lembrassem que, eles voltariam pra Oakland, cada um pegaria seu dinheiro de volta, e junto a isso tudo, o Cavs sairia daquele vestiário com o troféu Larry O'Brien. 

E foi o que aconteceu.


Os Cavs voltaram pra Oakland, venceram o Jogo 7, e saiu do vestiário como campeões. Ah, e sobre o dinheiro, Ty Lue disse, "uma parte foi devolvida". 

Lue levou uma multa de 25.000 dólares depois do Jogo 4, por reclamar dos árbitros. A outra parte do dinheiro que ele recolheu, serviu pra ajudar a pagar a multa.

"Eu ainda tô procurando pela minha grana. Não recebi nada de volta", disse LeBron.

Depois da derrota no Jogo 4, em Cleveland, LeBron mandou mensagem pra todos os seus companheiros de equipe. Ele dizia pra que eles só pensassem no Jogo 5, e que independente do resultado no próximo jogo, os Cavs teriam que voltar pra Cleveland. No fim da mensagem, LBJ dizia: "por que não voltar pra jogar mais uma partida das Finais?"

O GM David Griffin mandou um email pra funcionários, jogadores e treinadores prevendo que o Cavs iria virar a série (coisa que nunca tinha acontecido na história) porque o time estava na sua melhor forma quando enfrentava adversidade.

"É algo que, quando você estiver aposentado, você pode lembrar. Claro, na história estará que nós fomos os campeões de 2016, mas na sua memória vai estar coisas desse tipo que aconteceram durante a corrida pelo título", disse LeBron. 

Ty Lue disse que aprendeu esse 'truque' com Doc Rivers, durante o tempo em que ele foi assistente do Coach lá em Boston.


Lue disse que o Celtics levou um chocolate do Lakers no Staples Center, na noite de Natal, durante a temporada 2009-10. Rivers recolheu o dinheiro depois do jogo. Mas, claro, não havia garantia nenhuma que os dois times se enfrentariam nas Finais daquela temporada. E o Celtics ia precisar fazer com que isso acontecesse pra voltar ao Staples Center.

"Nós perdemos aquele Jogo 7, mas o dinheiro ainda estava lá. E nós nos encontramos nas Finais daquele ano", disse Lue.


Foi sugerido que Ty Lue no teto de cada sala dos treinadores, em arenas visitantes, pra ver se não tinha nada por lá. Rindo, Lue respondeu: "É verdade, eu deveria mesmo".

Fonte: Cleveland.com

domingo, 25 de setembro de 2016

A carreira de LeBron James no High School - PARTE 1



"LeBron veio correndo, pulou e rejeitou a tentativa do Iguodala. Ele disse NÃO. Não para todo o ódio, não para os gritos de "bebê chorão", não para as pessoas que o chamavam de amarelão, não para quem disse que voltar pra Cleveland "seria o maior erro da carreira" dele, não para quem o chamou de irrelevante, não para todas as polêmicas que a imprensa faria caso ele saísse de quadra sem o título, não para o time de 73 vitórias.

Ele também disse SIM. Sim para o fim da seca de títulos da cidade de Cleveland, sim para a consolidação do seu legado, sim para o primeiro título do Cavs.

Sim para ser o melhor jogador da nossa geração..."


Caso acompanhe este blog há um tempo, você deve ter achado estranho o texto ter começado assim. Mas, caso você não tenha achado estranho, então você precisa ler isso >aqui< antes. 
Muita gente é fã, e conhece a carreira do LeBron na NBA. Muita gente já viu todos os mixtapes de pontos, assistências e tocos dele. Mas, infelizmente, a maioria dos fãs do King não sabem o que aconteceu ANTES de sua carreira na NBA. 

E é por isso que, junto com o HSBasketballBR, siga-o aqui, estou lançando pra vocês o primeiro texto NO BRASIL que fala sobre a carreira de LeBron James no High School.

Assim como falei no texto "O melhor jogador da nossa geração", toda história precisa de contexto, e quando a história é longa, pra não ficar chata e cansativa, ela precisa de vários contextos. Então, vamos lá...

ANTES DO HIGH SCHOOL

LeBron James nasceu em 30 de dezembro de 1984, em Akron, Ohio. A sua mãe, Gloria James, tinha apenas 16 anos na época. Com a morte de sua mãe, Gloria ficou sozinha, sem emprego, e com um filho recém-nascido. A vida era muitas vezes uma luta para LeBron e sua mãe. Saltando entre trabalhos de varejo e de contabilidade, Gloria nunca conseguiu ficar em um só trabalho e ela, junto com LeBron, mudaram de apartamento em apartamento, em apartamento, em apartamento...

Os dois passaram a conhecer todos os bairros de Akron, uma cidade de mais de 200.000 pessoas, localizado há menos de uma hora ao sul de Cleveland.

Apesar de suas falhas, Gloria trabalhou duro para ser uma mãe amorosa e proteger LeBron da pobreza e da violência das ruas. Isso não era tarefa fácil, e às vezes a sua escolha de companheiros parecia intrigante. Quando LBJ tinha dois anos, ela começou a namorar Eddie Jackson. Ele foi para a prisão em 1990 por tráfico de cocaína (em 2002, ele se declarou culpado de fraude hipotecária e fraude postal). No entanto, LeBron formou um vínculo com Jackson, e Gloria gostava de ter um homem por pertos para servir como uma figura paterna.

Desde bem menino, LeBron mostrava instintos para o basquete. Gloria deu-lhe uma tabela em miniatura e bola, quando ele era uma criança, e o "Baby Bron" se divertiu durante horas todos os dias com os brinquedos. James também teve os genes necessários para se tornar o monstro do basquete que é hoje. Embora Gloria tivesse 1,65 de altura, ela tem parentes que são muito mais altos.

O estilo de vida nômade dos James começou a tomar-se um problema quando LeBron entrou na escola primária. Envergonhado por sua vida em casa, ele não fazia amigos com facilidade. E o foco nos estudos foi difícil. Ele encontrou uma saída para suas emoções e inteligência nos esportes. Basquete e futebol (americano), eram seus favoritos.

Até aquele momento, LeBron já demonstrava ser um atleta que iria se desenvolver com facilidade. LBJ tinha Dr. J e Michael Jordan como heróis, e ele, claro, modelou seu jogo a partir dos seus ídolos. Apesar do físico e da altura, a visão de jogo era o que se destacava em LeBron James.

No futebol americano, Bron jogava geralmente como Wide Receiver. Ele chegou a marcar 19 touchdowns em seis jogos no seu primeiro ano de futebol Pee Wee. Seu treinador era Frankie Walker, um homem que logo teria um efeito profundo em sua vida.

Após a temporada terminada, Walker iniciou a sua história com a jovem estrela, agora na quarta série. Ele
descobriu que LeBron tinha tudo para continuar na escola, mas desistiu. Walker confrontou Gloria, que admitiu que seu filho precisava de um ambiente mais estável, mas não conseguia dar isso a ele. Então, Gloria e Frankie concordaram que LBJ deveria ir morar com Walker e sua família. LeBron então conheceu o seu novo lar. Walker e sua esposa, Pam, tinham três filhos, Chanelle, Frankie Jr. e Tanesha. Todos na casa, incluindo LeBron, foram responsáveis por tarefas diárias. A estrutura familiar fez maravilhas para ele. Como um aluno da quinta série, ele recebeu o prêmio de assiduidade de sua escola. Bem diferente do ano anterior, em que ele faltou quase metade do ano letivo.

Walker também teve um impacto positivo no basquete do LeBron. Ele ensinou LBJ a fazer bandeja/ter mais controle de bola com a mão esquerda. Frankie também ensinou algo pro LBJ que fez ele ser o jogador que é hoje, caso você queira saber o que ele ensinou, é só ler aqui. 

Após 18 meses vivendo separada de seu filho, e só vendo o pequeno LeBron nos finais de semana, Gloria o levou de volta. Mas quando os problemas financeiros surgiram novamente, LeBron voltou para os Walkers. Eventualmente, eles chegaram a um acordo para ajudar Gloria a pagar o aluguel. Frankie e Pam queriam garantir que LeBron sempre tivesse um lugar em Akron que ele pudesse chamar de lar. Uma das vantagens de morar com os Walkers, era que LBJ, finalmente, tinha rotina, regras e deveres. E, acredite ou não, LBJ adorava ter rotina. O próprio King admite que Frankie teve grande influência na pessoa regrada que ele é hoje.


Para LeBron, outra vantagem de viver com a família Walker era sua amizade com Frankie Jr. Os dois criaram amizade com outros três garotos: Sian Cotton, Dru Joyce III e Willie McGee. Juntos, eles formaram uma time fantástico na quadra, e fora dela. Nas noites de domingo, eles se reuniam no Akron Jewish Community Center, onde o Coach Dru Joyce, pai do Dru Joyce III, treinava os garotos. LeBron e Dru, que jogava de armador, se tornaram amigos muito próximos. Na verdade, quando LeBron tinha 12 anos, ele passou a maior parte daquele verão vivendo com a família Joyce.

LeBron foi crescendo mais que seus amigos. Na oitava série ele tinha 1,82m de altura, e podia jogar em todas as cinco posições.

Conhecidos como Northeast Ohio Shooting Stars, LeBron e seus amigos treinados pelo Joyce pai, conseguiram se classificar pela primeira vez para o evento da Under Armour/6º categoria AAU em 1997. O campeonato nacional era disputado em Salt Lake City, Utah. Dois anos mais tarde, lá estavam eles mais uma vez no evento, agora na série final em Orlando, na Flórida. Os Shooting Stars ganharam seus primeiros cinco jogos para chegar na final. O time levava o entrosamento fora de quadra, pra dentro de quadra. Eles se divertiam enquanto jogavam. Naquele torneio, LBJ se separou do grupo, ele era por muito o melhor jogador da equipe.

*AAU (Amateur Athletic Union) é uma organização que patrocina eventos esportivos amadores. No basquete, eles patrocinam torneios na primavera, verão e outono de diversas faixas etárias. As faixas etárias são geralmente entre 19, 17 e até 15 anos de idade. A vantagem desse sistema é que você pode jogar até um evento de idade superior à sua (atleta com 15 anos de idade pode jogar em um torneio de sub-17, mas um jovem de sub-17 não pode jogar um de sub-15). Os torneios são normalmente jogados durante os períodos que os recrutamentos das universidades estão em alta e os treinadores podem te ver ao vivo.*

Eles jogaram contra o Southern California All-Stars, time cheio de bons jogadores - com um deles sendo capa daquele mês da Kids Sports Illustrated -, com patrocínio da Nike. Bem diferente do time de Ohio, que não tinha patrocínio algum. O time inteiro vendeu fita adesiva e lavou carros por 5 dólares, para conseguir seus uniformes e dinheiro pra ir disputar o torneio. 

Os Shooting Stars perderam por 68-66. O King teve a oportunidade de virar o jogo com um arremesso at the buzzer, (quase)da metade da quadra, mas não deu. LeBron foi o grande destaque daquela partida.

Até então LeBron, Dru Joyce, Sian Cotton e Willie McGee, que se autoproclamaram o Fab Four, chegaram a uma primeira decisão. Depois daquela derrota, eles se comprometeram a
continuar juntos na carreira.

O quarteto decidiu ir para escola secundária Saint Vincent-Saint Mary, uma escola paroquial no centro de Akron. Mais conhecida por sua tradição de excelência acadêmica. Mas não foi uma decisão fácil, já que a escola que todos esperavam que o quarteto fosse era Buchtel - uma escola que era predominantemente de alunos negros. Diferente de SVSM, escola em que a maioria dos alunos eram brancos.

Você deve estar se perguntando, então por que o Fab Four foi pra SVSM? Bem, a resposta é simples, por causa do pequeno armador Dru Joyce. Apesar de jogar bem, Dru só tinha 1,50m. E ele percebeu, durante um treino em Buchtel, que os treinadores lá não dariam chance pra ele por causa de seu tamanho. Mesmo seu pai fazendo parte da comissão técnica, Dru Joyce III decidiu ir pra Saint Vicent-Saint Mary - onde o treinador era Keith Dambrot, que tinha como filosofia o ditado "heart over height". Pra ele, não importava sua altura, e sim o seu amor pelo jogo, a entrega dentro de quadra. E era isso que Dru queria.

Então, por causa do resultado daquele vice campeonato, em que o quarteto virou uma família, LeBron, Sian e Willie se juntaram a Dru e foram pra Saint Vincent-Saint Mary High School.

Eles estavam prestes a estabelecer um novo legado, com LeBron liderando o time...

TEMPORADA DE FRESHMAN


A decisão de ir com LeBron de titular foi fácil para Dambrot, que recentemente tinha sido contratado como treinador de SVSM. Pra ele, não importava se você era calouro ou veterano, se você jogasse bem, você estaria na rotação.

LeBron usou o número #32, em homenagem a um de seus ídolos, Julius " Dr. J" Erving. Agora, com 1,87m, LBJ liderou o Fighting Irish a um recorde perfeito de 27-0.

Eles ganharam o campeonato estadual da 3ª divisão, a primeira conquista da escola desde 1984. LeBron teve média de pouco menos de 20 pontos, ele liderou a equipe em rebotes, assistências e roubos de bola. O que ele fazia dentro de quadra era surpreendente pra muitos, considerando sua idade. James demonstrou muita qualidade ao fazer todo mundo na quadra mostrar o seu melhor. 

Já naquele ano, havia o rumor de que a IMG, empresa de representação baseada em Cleveland, já estava sondando o jovem LeBron.


TEMPORADA DE SOPHOMORE


No verão após sua temporada de calouro, LeBron continuou melhorando o seu jogo. Mas a maior mudança veio fora da quadra. Ele cresceu 13 centímetros, se tornando um ala de 2 metros de altura (6 foot and 7 inches, como dizem os americanos), aos 16 anos de idade. LeBron, a partir daquele verão, parecia mais um homem do que um menino.

James jogou mais um ano de futebol americano em SVSM, acumulando mais de 700 jardas de recepção. Ele foi nomeado All-Ohio 1st Team, mas o Fighting Irish terminou com um recorde decepcionante de apenas 4 vitórias e 6 derrotas.

Com LeBron preparado para a temporada de basquete, começou a se espalhar pelo país que SVSM tinha um fenômeno em mãos. Esperando uma enorme multidão para a abertura da temporada 2000-01, o Fighting Irish havia agendado um jogo na Universidade de James A. Rhodes na Arena de Akron. Cerca de 5.000 fãs lotaram o ginásio. LeBron liderou SVSM para uma vitória fácil.

O Fighting Irish enfrentou a sua mais dura prova contra Oak Hill Academy durante um torneio, em janeiro de 2001. Os Warriors liderados pelo pivô DeSagna Diop e o ala Rashaad Carruth, eram a melhor equipe da nação. LeBron e seus companheiros de equipe entraram na competição invictos. No fim da partida, Oak Hill conseguiu uma vitória apertada por 79-78. Mas o que estava se tornando um hábito, era LeBron dar um show pro público. Com alguns jornalistas que cobriam a NBA e olheiros universitários presentes, ele impôs dificuldade aos
Warriors anotando 33 pontos. A transição de defesa pro ataque terminava em enterradas que chacoalhavam o
aro, e impressionavam olheiros e jornalistas.

LeBron realmente poderia ter vencido aquele jogo, mas os dois lances livres perdidos no final
do 4º quarto foram cruciais. 

O Fighting Irish se recuperou da derrota de forma impressionante. Eles venceram todos os jogos restantes da temporada regular por 15+ pontos. Após a sequência de vitórias, chegou a hora dos playoffs. O time continuou com a mesma pegada, e chegou na grande decisão do torneio. A final do estadual, disputada no Jerome Schottenstein Center, atraiu uma plateia enlouquecida de 17 mil pessoas, incluindo os treinadores de North Carolina (Matt Doherty) e Califórnia (Ben Braun).

SVSM conquistou seu segundo título consecutivo, dessa vez, da 2ª divisão de Ohio. LBJ, que tinha feito 54 pontos em duas vitórias nos playoffs, foi escolhido o MVP do torneio.

Naquele ano, James terminou com médias de 25,3 pontos, 7,4 rebotes e 5,5 assistências. Ele também aumentou sua eficiência nos arremessos de longa distância, tendo uma média de 39% de acertos.

LeBron foi nomeado um McDonalds All-American, e se tornou o primeiro Sophomore, na história de Ohio, a ser nomeado Mr. Basketball.



Semana que vem tem mais! A parte 2 do texto sai no próximo domingo. Na segunda parte, os anos de junior e senior do LBJ, que algumas polêmicas e um vídeo com highlights do King James no High School. 

Valeu, galera. Abraço! #LeHistory